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Compreender o ruído triboelétrico

Sensor de vibração

Sensor ótico (tacómetro laser)

Balanset-4

Suporte magnético Insize-60-kgf

Fita reflectora

Equilibrador dinâmico "Balanset-1A" OEM

Ruído triboelétrico é uma forma de interferência elétrica que pode contaminar sinais de vibração, particularmente aqueles de fontes piezoelétricas acelerómetros. Trata-se de um ruído de baixa frequência, não repetitivo, gerado no interior do próprio cabo do sensor quando este é submetido a movimentos mecânicos — como dobras, flexões ou impactos. Uma vez que o ruído não tem qualquer relação com o próprio vibração da máquina, pode causar erros de medição graves se não for compreendida e controlada.

1. Definição: O que é o ruído triboelétrico?

O ruído triboelétrico pode ser melhor entendido como um artefacto autogerado: o cabo que transporta o sinal também, quando se move, gera um sinal espúrio próprio. É mais problemático com acelerómetros piezoelétricos porque a sua saída consiste numa pequena carga elétrica enviada para um amplificador de impedância muito elevada, e esse amplificador não consegue distinguir uma carga genuína proveniente da máquina de uma carga parasita gerada no cabo. A contaminação é real, mas a máquina que parece descrever não está, de forma alguma, a vibrar dessa maneira.

2. A causa: o efeito triboelétrico

O ruído é gerado pelo efeito triboelétrico — a mesma física que gera eletricidade estática quando se esfregam dois materiais diferentes e depois se separam. Um cabo coaxial típico de acelerómetro é composto por um condutor central, uma camada dielétrica (isolante) e uma blindagem trançada exterior.

Quando o cabo é dobrado, o dielétrico e a blindagem exterior roçam um no outro e separam-se, gerando uma pequena carga estática. Essa carga manifesta-se como uma tensão na capacitância do cabo, e o amplificador altamente sensível ligado ao sensor — quer seja um amplificador de carga ou a eletrónica interna de um Acelerómetro IEPE — regista-o fielmente. O resultado é um “ronco” de baixa frequência ou um pico de tensão espúrio sobreposto ao sinal de vibração real.

3. Características do ruído triboelétrico

O ruído triboelétrico tem uma assinatura característica, que é fundamental para o distinguir de uma avaria real da máquina:

  • Baixa frequência: trata-se predominantemente de um fenómeno de baixa frequência, que ocorre normalmente abaixo dos 10 Hz.
  • Picos espúrios: aparece frequentemente sob a forma de picos aleatórios de alta amplitude no forma de onda temporal que coincidem com o movimento do cabo.
  • Espetro em “pista de esqui”: num Espetro FFT isso eleva acentuadamente o ruído de fundo na faixa das frequências muito baixas e, em seguida, diminui à medida que a frequência aumenta, produzindo a clássica curva descendente em forma de “pista de esqui”. (Esta mesma curva também pode resultar da integração ou da estabilização do sensor, pelo que é necessário confirmar a causa.)
  • Não repetível: o ruído não está sincronizado com a rotação do eixo e não se repete entre medições sucessivas — ao contrário de uma avaria real, que se repete em todas as medições.

4. Por que é que isto constitui um problema

O ruído triboelétrico ocorre precisamente na banda de frequências onde se encontram algumas das informações de diagnóstico mais importantes. Pode mascarar os sinais reais de baixa frequência de uma máquina, o que é especialmente prejudicial em equipamentos de baixa velocidade, onde as principais assinaturas de avaria — desequilíbrio e desalinhamento no 1× velocidade de rotação — já se situam perto ou abaixo dos 10 Hz. O ruído pode ocultar estes componentes genuínos ou ser confundido com eles e, em qualquer dos casos, conduz diretamente a um diagnóstico errado: uma máquina em bom estado sinalizada como defeituosa ou uma avaria real ocultada por um ruído de fundo. Uma vez que o filtro passa-alto filtragem de sinais isso também eliminaria os dados de frequência muito baixa que pretende manter; por isso, o ruído deve ser evitado na origem, em vez de ser filtrado posteriormente.

5. Como prevenir o ruído triboelétrico

O ruído triboelétrico é um dos erros de medição mais facilmente evitáveis no trabalho com vibrações. É controlado através da escolha correta dos cabos e, acima de tudo, de uma instalação cuidadosa:

  1. Utilize um cabo de alta qualidade e com baixo ruído. Os fabricantes de sensores de renome oferecem cabos específicos de “baixo ruído” que incorporam uma camada condutora de grafite entre o dielétrico e a blindagem exterior. Esta camada funciona como um dreno, dissipando a carga estática antes que esta se acumule e reduzindo drasticamente o efeito triboelétrico.
  2. Prenda o cabo. Este é o passo prático mais importante de todos. Prenda ou cole o cabo firmemente à superfície da máquina, o mais próximo possível do sensor, para que este vibre com a máquina, em vez de se dobrar e balançar de forma independente. As voltas soltas e as secções pendentes são as principais fontes de ruído — uma boa organização dos cabos faz parte de um bom sensor montagem.
  3. Evite que os cabos sofram impactos. Passe o cabo afastado de eixos rotativos, pás de ventiladores e quaisquer outras peças móveis que possam atingi-lo ou chicotear-lhe.
  4. Ligue corretamente à terra. Embora a ligação à terra não resolva diretamente o efeito triboelétrico, seguir as instruções do fabricante relativas à ligação à terra do sensor e da cablagem evita outros problemas de ruído elétrico, como os circuitos de terra, mantendo o sinal global limpo.

Com o cabo adequado e — acima de tudo — uma instalação devidamente fixada, os efeitos do ruído triboelétrico podem ser quase totalmente eliminados, proporcionando dados de vibração de baixa frequência mais nítidos e fiáveis. A mesma rigorosa aplicação compensa quando se passa de monitorização de condições para correção ativa: quando um analisador portátil, como o Balanset-1A mede a amplitude e a fase de 1× para equilibragem no local, um sinal de baixa frequência isento de ruído é exatamente aquilo de que depende o cálculo da fase.


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