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ISO 10816-1: Avaliação da Vibração de Máquinas em Partes Não Rotativas
ISO Standards · Vibration Diagnostics

Norma ISO 10816-1 e Implementação Instrumental de Vibrodiagnóstico Usando o Sistema Balanset-1A

Uma análise abrangente dos requisitos internacionais de severidade de vibração, metodologia de classificação de zonas e medições práticas usando equipamentos portáteis de balanceamento.

Sensor de vibração

Sensor Óptico (Tacômetro a Laser)

Balanset-4

Suporte Magnético Insize-60-kgf

Fita refletiva

Balanceador dinâmico “Balanset-1A” OEM

Referência Rápida: Severidade de Vibração — ISO 10816-1 (Anexo B)

Velocidade de vibração RMS (mm/s) · Banda larga 10–1000 Hz · Medida em partes não rotativas
Zona Classe I
Máquinas pequenas ≤15 kW
Classe II
Médias 15–75 kW
Classe III
Grandes, base rígida
Classe IV
Grandes, base flexível
A — Bom < 0,71 < 1,12 < 1,80 < 2,80
B — Satisfatório 0,71 – 1,80 1,12 – 2,80 1,80 – 4,50 2,80 – 7,10
C — Insatisfatório 1,80 – 4,50 2,80 – 7,10 4,50 – 11,20 7,10 – 18,00
D — Inaceitável > 4,50 > 7,10 > 11,20 > 18,00

Referência Rápida: Severidade de Vibração — ISO 10816-3 (Máquinas Industriais)

Velocidade de vibração RMS (mm/s) · Bombas, ventiladores, compressores, motores acima de 15 kW · 120–15.000 rpm
Zona Grupo 1 (>300 kW)
Fundação rígida
Grupo 1 (>300 kW)
Fundação flexível
Grupo 2 (15–300 kW)
Fundação rígida
Grupo 2 (15–300 kW)
Fundação flexível
A — Bom < 2,3 < 3,5 < 1,4 < 2,3
B — Satisfatório 2,3 – 4,5 3,5 – 7,1 1,4 – 2,8 2,3 – 4,5
C — Insatisfatório 4,5 – 7,1 7,1 – 11,0 2,8 – 4,5 4,5 – 7,1
D — Inaceitável > 7,1 > 11,0 > 4,5 > 7,1

Resumo

Este relatório apresenta uma análise abrangente dos requisitos regulatórios internacionais para a condição de vibração de equipamentos industriais definidos na ISO 10816-1 e seus padrões derivados. O documento revisa a evolução da padronização da ISO 2372 até a atual ISO 20816, explica o significado físico dos parâmetros medidos e descreve a metodologia para avaliar a severidade das condições de vibração. Atenção especial é dada à implementação prática dessas regras usando o sistema portátil de balanceamento e diagnóstico Balanset-1A. O relatório contém uma descrição detalhada das características técnicas do instrumento, algoritmos de sua operação nos modos de vibrometro e balanceamento, e diretrizes metodológicas para realizar medições que garantam o cumprimento dos critérios de confiabilidade e segurança para máquinas rotativas.

Capítulo 1. Fundamentos Teóricos da Vibrodiagnóstico e Evolução da Padronização

1.1. Natureza Física da Vibração e Seleção de Parâmetros de Medição

A vibração, como parâmetro de diagnóstico, é o indicador mais informativo da condição dinâmica de um sistema mecânico. Diferente da temperatura ou pressão, que são indicadores integrais e muitas vezes reagem a falhas com atraso, o sinal de vibração carrega informações sobre as forças atuando dentro do mecanismo em tempo real.

A norma ISO 10816-1, assim como suas antecessoras, é baseada na medição da velocidade de vibração. Esta escolha não é acidental e decorre da natureza energética do dano. A velocidade de vibração é diretamente proporcional à energia cinética da massa oscilante e, portanto, às tensões de fadiga que surgem nos componentes da máquina.

A vibrodiagnóstico utiliza três parâmetros principais, cada um com sua própria área de aplicação:

Deslocamento de vibração (Deslocamento): A amplitude de oscilação medida em micrômetros (µm). Este parâmetro é crítico para máquinas de baixa velocidade (abaixo de 600 rpm) e para avaliar folgas em mancais de deslizamento, onde é importante evitar o contato rotor-estator. No contexto da ISO 10816-1, o deslocamento tem uso limitado porque, em altas frequências, mesmo pequenos deslocamentos podem gerar forças destrutivas.

Velocidade de vibração (Velocidade): A velocidade do ponto de superfície medida em milímetros por segundo (mm/s). Este é o parâmetro universal para a faixa de frequência de 10 a 1000 Hz, que cobre os principais defeitos mecânicos: desbalanceamento, desalinhamento e folga mecânica. A ISO 10816 adota a velocidade de vibração como o critério principal de avaliação. O padrão especifica o valor RMS (raiz quadrada da média quadrática), que caracteriza a energia média da vibração.

Aceleração de vibração (Aceleração): A taxa de variação da velocidade de vibração medida em metros por segundo ao quadrado (m/s²) ou em unidades de g (1 g = 9,81 m/s²). A aceleração caracteriza forças inerciais e é mais sensível a processos de alta frequência (a partir de 1000 Hz para cima), como defeitos iniciais em rolamentos, problemas de engrenamento e falhas elétricas em motores.

Por que RMS? A ISO 10816-1 concentra-se na vibração de banda larga na faixa de 10 a 1000 Hz. O instrumento deve integrar a energia de todas as oscilações dentro desta banda e fornecer um único valor RMS. O uso do RMS em vez do valor de pico é justificado porque o RMS caracteriza a potência total do processo oscilatório ao longo do tempo, o que é mais relevante para avaliar o impacto térmico e de fadiga no mecanismo. A relação matemática é: VRMS = Vpico / √2 para um sinal senoidal puro, mas na prática a vibração do mundo real é uma superposição de muitas frequências, tornando o RMS a única métrica de energia correta.

1.2. Contexto Histórico: De ISO 2372 a ISO 20816

Compreender os requisitos atuais exige analisar seu desenvolvimento histórico. A evolução dos padrões de vibração abrange mais de cinco décadas:

1974
ISO 2372 — Primeiro Padrão Global de Severidade de Vibração
Introduziu a classificação de máquinas por potência em quatro classes (Classe I – Classe IV) e definiu zonas de avaliação (A, B, C, D). Também introduziu os graus de severidade de vibração VDI 2056 (Severidade de Vibração 0,28 a 71). Embora tenha sido oficialmente retirada em 1995, a terminologia e a lógica deste padrão continuam amplamente utilizados na prática de engenharia hoje.
1986
ISO 3945 — Orientações sobre Condições Operacionais
Complementou a ISO 2372 com orientações sobre procedimentos de medição em condições operacionais. Introduziu o conceito de medição in situ versus teste de aceitação. Este padrão foi posteriormente incorporado à ISO 10816-1.
1995
ISO 10816-1 — Diretrizes Gerais (Foco Atual)
Substituiu a ISO 2372 e a ISO 3945. Sua principal inovação foi uma distinção mais clara dos requisitos dependendo do tipo de fundação (rígida versus flexível). Tornou-se o documento "guarda-chuva" que define princípios gerais (Parte 1), enquanto valores limites específicos para diferentes tipos de máquinas foram transferidos para as partes subsequentes (Partes 2–7).
1998–2009
Partes 2–7 da ISO 10816 — Padrões Específicos para Máquinas
Uma série de partes especializadas foi publicada: Parte 2 (turbinas a vapor >50 MW), Parte 3 (máquinas industriais >15 kW), Parte 4 (turbinas a gás), Parte 5 (máquinas hidráulicas), Parte 6 (máquinas alternativas), Parte 7 (bombas rotodinâmicas). Cada uma fornece limites específicos adaptados ao tipo particular de máquina.
2016–Presente
ISO 20816 — Série Moderna Unificada
A iteração moderna. A ISO 20816 combina a série 10816 (vibração de partes não rotativas) e a série 7919 (vibração de eixos rotativos) em uma única estrutura unificada. A ISO 20816-1:2016 substituiu a ISO 10816-1:1995. Para a maioria das máquinas industriais de uso geral, a metodologia da ISO 10816 permanece dominante.

Este relatório foca em ISO 10816-1 e ISO 10816-3, porque esses documentos são as principais ferramentas de trabalho para cerca de 90% dos equipamentos industriais diagnosticados com instrumentos portáteis como o Balanset-1A.

Capítulo 2. Análise Detalhada da Metodologia ISO 10816-1

2.1. Escopo e Limitações

A ISO 10816-1 aplica-se a medições de vibração realizadas em partes não rotativas de máquinas (mancas, pés, estruturas de suporte). A norma não se aplica à vibração causada por ruído acústico e não abrange máquinas alternativas (elas são cobertas pela ISO 10816-6), que geram forças inerciais específicas devido ao seu princípio de funcionamento.

Um aspecto crítico é que a norma regula medições in situ — em condições reais de operação, não apenas em bancada de teste. Isso significa que os limites levam em conta a influência da fundação real, conexões de tubulação e condições de carga de operação.

Limitação principal: A ISO 10816-1 fornece apenas diretrizes gerais. Os limites das zonas em seu Anexo B são valores recomendados baseados em experiência acumulada. Quando limites de vibração específicos do fabricante estiverem disponíveis, eles têm precedência. O padrão declara explicitamente que os valores tabulados destinam-se a situações em que não existem critérios específicos.

2.2. Classificação de Equipamentos

Um elemento-chave da metodologia é a divisão de todas as máquinas em classes. Aplicar limites da Classe IV a uma máquina da Classe I pode fazer com que um engenheiro perca uma condição perigosa, enquanto o oposto pode levar a paradas injustificadas de equipamentos saudáveis.

Tabela 2.1. Classificação de Máquinas de Acordo com a ISO 10816-1

Classe Descrição Máquinas Típicas Tipo de Fundação
Classe I Partes individuais de motores e máquinas, estruturalmente conectadas ao conjunto. Máquinas pequenas. Motores elétricos até 15 kW. Bombas pequenas, acionamentos auxiliares. Qualquer
Classe II Máquinas de médio porte sem fundações especiais. Motores elétricos de 15–75 kW. Motores até 300 kW em base rígida. Bombas, ventiladores. Geralmente rígida
Classe III Motores primários grandes e outras máquinas grandes com massas rotativas. Turbinas, geradores, bombas de alta potência (>75 kW). Rígido
Classe IV Motores primários grandes e outras máquinas grandes com massas rotativas. Turbogeradores, turbinas a gás (>10 MW). Flexível

Problema de Identificação do Tipo de Fundação (Rígida vs. Flexível)

O padrão define uma fundação como rígida se a primeira frequência natural do sistema "máquina-fundação" estiver acima da frequência de excitação principal (frequência de rotação). Uma fundação é flexível se sua frequência natural estiver abaixo da frequência de rotação.

Na prática, isso significa:

  • Uma máquina parafusada a um piso de concreto maciço geralmente pertence a uma classe com fundação rígida.
  • Uma máquina montada em isoladores de vibração (molas, almofadas de borracha) ou em uma estrutura de aço leve (por exemplo, uma estrutura de nível superior) pertence a uma classe com fundação flexível.
  • A mesma máquina física pode mudar de classe se for movida de uma fundação para outra — isso é crítico para lembrar ao realocar equipamentos.

Erro comum: Muitos engenheiros assumem que qualquer estrutura de aço é "rígida". Na realidade, uma máquina em uma mezanino de aço tipicamente tem um suporte flexível porque a frequência natural do mezanino frequentemente está abaixo da velocidade de operação da máquina. Sempre verifique verificando a frequência natural da estrutura de suporte.

2.3. Zonas de Avaliação de Vibração

Em vez de uma avaliação binária "bom/ruim", o padrão oferece uma escala de quatro zonas que suporta a manutenção baseada em condição:

Zona A — Boa

Nível de vibração para máquinas recém-comissionadas ou após grande revisão. Esta é a condição de referência que indica excelente balanceamento dinâmico e instalação adequada.

Zona B — Satisfatória

Máquinas aptas para operação de longo prazo sem restrições. O nível de vibração é maior que o ideal, mas não ameaça a confiabilidade. Nenhuma ação necessária.

Zona C — Insatisfatória

Máquinas não aptas para operação contínua de longo prazo. Degradação acelerada de rolamentos e vedações. Operar por tempo limitado sob monitoramento reforçado até a próxima janela de manutenção.

Zona D — Inaceitável

Níveis de vibração que podem causar falha catastrófica. Parada imediata é necessária. A operação contínua arrisca danos graves ao equipamento, riscos de segurança e danos colaterais a sistemas adjacentes.

2.4. Valores Limite de Vibração

A tabela abaixo resume os valores limites da velocidade de vibração RMS (mm/s) de acordo com o Anexo B da ISO 10816-1. Esses valores são empíricos e servem como diretrizes se as especificações do fabricante não estiverem disponíveis.

Tabela 2.2. Valores de Limite das Zonas (Anexo B da ISO 10816-1)

Limite da zona Classe I (mm/s) Classe II (mm/s) Classe III (mm/s) Classe IV (mm/s)
A / B 0.71 1.12 1.80 2.80
B / C 1.80 2.80 4.50 7.10
C / D 4.50 7.10 11.20 18.00

Comparação Visual: Limites das Zonas por Classe de Máquina

Classe I
<0,71
0,71–1,8
1,8–4,5
>4,5
Classe II
<1,12
1,12–2,8
2,8–7,1
>7,1
Classe III (rígida)
<1,8
1,8–4,5
4,5–11,2
>11,2
Classe IV (flexível)
<2,8
2,8–7,1
7,1–18
>18

Interpretação analítica. Considere o valor de 4,5 mm/s. Para máquinas pequenas (Classe I), este é o limite da condição de emergência (C/D), que requer desligamento. Para máquinas de médio porte (Classe II), este é o meio da zona "requer atenção". Para máquinas grandes em fundação rígida (Classe III), este é apenas o limite entre as zonas "satisfatória" e "insatisfatória". Para máquinas em fundação flexível (Classe IV), este é um nível normal de vibração de operação (Zona B). Esta progressão demonstra o risco de usar limites universais sem classificação adequada.

2.5. Dois Critérios de Avaliação: Valor Absoluto vs. Variação Relativa

A norma ISO 10816-1 define dois critérios de avaliação independentes que devem ser aplicados simultaneamente:

Critério I — Magnitude da Vibração: A velocidade de vibração RMS de banda larga absoluta comparada aos limites das zonas. Este é o critério principal descrito nas tabelas acima.

Critério II — Variação da Vibração: Uma variação significativa (aumento ou diminuição) no nível de vibração em relação ao valor de referência estabelecido, independentemente de o nível absoluto cruzar ou não um limite de zona. Uma mudança súbita de mais de 25% no nível de vibração pode indicar uma falha em desenvolvimento, mesmo que a máquina permaneça na Zona B. Por outro lado, uma diminuição súbita pode indicar que um acoplamento falhou ou que um componente se rompeu.

Dica prática: Registre sempre os níveis de vibração de referência durante a comissionamento ou após a manutenção. A análise de tendências dos dados de vibração ao longo do tempo é frequentemente mais valiosa do que uma medição pontual. O software do Balanset-1A permite salvar os resultados das medições para comparação.

Capítulo 3. Visão Geral Completa da Série ISO 10816 / 20816

A norma ISO 10816 foi publicada como uma série em várias partes, onde a Parte 1 fornece a estrutura geral e as partes subsequentes definem requisitos específicos para diferentes tipos de máquinas. Compreender qual parte se aplica ao seu equipamento específico é essencial para uma avaliação correta.

Tabela 3.0. Lista Completa das Partes da ISO 10816 e Seus Substitutos da ISO 20816

Parte da ISO 10816 Tipo de Máquina / Escopo Substituído por (ISO 20816) Parâmetros Principais
10816-1:1995 Diretrizes gerais para todas as máquinas 20816-1:2016 Velocidade RMS, 10–1000 Hz
10816-2:2009 Turbinas a vapor e geradores >50 MW em terra 20816-2:2017 Velocidade RMS + Deslocamento pico-a-pico
10816-3:2009 Máquinas industriais >15 kW, 120–15.000 rpm (ventiladores, bombas, compressores, motores) 20816-3:2022 Velocidade RMS, 10–1000 Hz
10816-4:2009 Conjuntos acionados por turbinas a gás, excluindo derivados de aeronaves 20816-4:2018 Velocidade RMS + Deslocamento
10816-5:2000 Máquinas hidráulicas >1 MW ou com velocidade >600 rpm (turbinas hidráulicas, bombas) 20816-5:2018 Velocidade RMS + Deslocamento
10816-6:1995 Máquinas alternativas >100 kW 20816-8:2018 Velocidade RMS (bandas modificadas)
10816-7:2009 Bombas rotodinâmicas (incluindo centrífugas e de fluxo misto) 20816-7 (em desenvolvimento) Velocidade RMS, 10–1000 Hz
10816-8:2014 Sistemas de compressores alternativos 20816-8:2018 Velocidade RMS

3.1. Série ISO 7919 (Vibração do Eixo) — Agora Parte da ISO 20816

Enquanto a ISO 10816 se concentrou exclusivamente na vibração do mancal, a série paralela ISO 7919 abordou a vibração do eixo medida usando sondas de proximidade sem contato (sensores de corrente de Foucault). Para máquinas rotativas críticas, como grandes turbinas a vapor, turbinas a gás e geradores, a vibração relativa do eixo é frequentemente o parâmetro mais informativo porque mede diretamente o movimento do rotor dentro das folgas de seus mancais.

A unificação dessas duas séries na ISO 20816 reflete a compreensão moderna de que o monitoramento de condição abrangente de máquinas críticas requer tanto a vibração do mancal (para avaliação estrutural) quanto a vibração do eixo (para avaliação dinâmica do rotor).

3.2. Normas Internacionais Relacionadas

A ISO 10816 não existe isoladamente. Várias normas complementares definem especificações de sensores, qualidade de balanceamento e metodologia de medição:

Padrão Título / Escopo Relevância para a ISO 10816
ISO 1940-1 Requisitos de qualidade de balanceamento de corpos rígidos rotativos Define o desbalanceamento residual admissível (graus G: G0.4 a G4000). Diretamente ligado aos níveis de vibração alcançáveis conforme a ISO 10816.
ISO 2954 Requisitos para instrumentos de medição de vibração Especifica a precisão e a resposta em frequência para instrumentos usados conforme a ISO 10816.
ISO 5348 Montagem mecânica de acelerômetros Define a montagem correta dos sensores para garantir medições válidas conforme a ISO 10816.
ISO 13373-1/2 Monitoramento de condição de máquinas — vibração Fornece orientações sobre técnicas de aquisição de dados e análise espectral usadas em conjunto com as avaliações da ISO 10816.
ISO 10816-21 Turbinas eólicas de eixo horizontal com multiplicadora Limites específicos de vibração para aplicações de energia eólica.
ISO 14694 Requisitos de qualidade de balanceamento para ventiladores Graus de balanceamento específicos para ventiladores (BV-1 a BV-5) que complementam as zonas de vibração da ISO 10816-3.

3.3. Relação Entre a Qualidade de Balanceamento da ISO 1940 e as Zonas de Vibração da ISO 10816

Uma das perguntas mais comuns na prática é como o grau de qualidade de balanceamento (valor G conforme ISO 1940) se relaciona com as zonas de vibração da ISO 10816. Embora não haja uma fórmula matemática exata que os ligue (a relação depende da rigidez do rolamento, da massa da máquina e da dinâmica dos apoios), existe uma correlação geral:

  • O grau de balanceamento G2.5 (típico para ventiladores, bombas, motores) geralmente alcança a Zona A ou B em máquinas corretamente instaladas.
  • O grau de balanceamento G6.3 (máquinas gerais) tipicamente alcança a Zona B, mas pode estar na Zona C para estruturas rígidas e leves.
  • O grau de balanceamento G16 (equipamentos agrícolas, britadores) geralmente corresponde à Zona C ou pior, conforme a ISO 10816.

O sistema Balanset-1A pode alcançar qualidade de balanceamento G2.5 ou melhor, o que contribui diretamente para atender aos requisitos da Zona A da ISO 10816.

Capítulo 4. Especificidades das Máquinas Industriais: ISO 10816-3

Enquanto a ISO 10816-1 define a estrutura geral, na prática, a maioria das unidades industriais (bombas, ventiladores, compressores acima de 15 kW) é regida pela Parte 3 mais específica da norma (ISO 10816-3). É importante entender a diferença, pois o Balanset-1A é frequentemente usado para balancear ventiladores e bombas cobertos por esta parte.

4.1. Grupos de Máquinas na ISO 10816-3

Diferente das quatro classes da Parte 1, a Parte 3 divide as máquinas em dois grupos principais:

Grupo 1: Grandes máquinas com potência nominal acima de 300 kW, ou máquinas elétricas com altura do eixo maior que 315 mm, operando em velocidades entre 120 rpm e 15.000 rpm.

Grupo 2: Máquinas de tamanho médio com potência nominal de 15 kW a 300 kW, ou máquinas elétricas com altura do eixo de 160 mm a 315 mm, em velocidades de operação entre 120 rpm e 15.000 rpm.

Nota de escopo: A norma ISO 10816-3 exclui especificamente máquinas já cobertas por outras partes: turbinas a vapor (Parte 2), turbinas a gás (Parte 4), máquinas hidráulicas (Parte 5) e máquinas alternativas (Parte 6). Ela também exclui máquinas com velocidade de operação inferior a 120 rpm ou superior a 15.000 rpm.

4.2. Limites de Vibração na ISO 10816-3

Os limites dependem do tipo de fundação (Rígida / Flexível), que mantém a mesma definição da Parte 1.

Tabela 4.1. Limites de Vibração Segundo a ISO 10816-3 (RMS, mm/s)

Condição (Zona) Grupo 1 (>300 kW) Rígido Grupo 1 (>300 kW) Flexível Grupo 2 (15–300 kW) Rígido Grupo 2 (15–300 kW) Flexível
A (Novo) < 2,3 < 3,5 < 1,4 < 2,3
B (Longo prazo) 2,3 – 4,5 3,5 – 7,1 1,4 – 2,8 2,3 – 4,5
C (Limitado) 4,5 – 7,1 7,1 – 11,0 2,8 – 4,5 4,5 – 7,1
D (Danos) > 7,1 > 11,0 > 4,5 > 7,1

Síntese de dados. A comparação das tabelas da ISO 10816-1 e da ISO 10816-3 mostra que a ISO 10816-3 impõe requisitos mais rigorosos para máquinas de potência média (Grupo 2) em fundações rígidas. O limite da Zona D é estabelecido em 4,5 mm/s, o que coincide com o limite para a Classe I na Parte 1. Isso confirma a tendência de limites mais rigorosos para equipamentos modernos, mais rápidos e mais leves. Ao usar o Balanset-1A para diagnosticar um ventilador de 45 kW em piso de concreto, você deve focar na coluna "Grupo 2 / Rígido" desta tabela, onde a transição para a zona de emergência ocorre em 4,5 mm/s.

4.3. Requisitos Adicionais da ISO 10816-3

A ISO 10816-3 adiciona disposições importantes além dos limites básicos das zonas:

  • Teste de aceitação: Para máquinas recém-instaladas ou reparadas, a vibração deve estar na Zona A. Se estiver na Zona B, recomenda-se uma investigação para determinar a causa.
  • Alarmes operacionais: A norma recomenda definir dois níveis de alarme — ALERTA (tipicamente no limite B/C) e PERIGO (no limite C/D). Estes podem ser implementados em sistemas de monitoramento contínuo.
  • Condições transitórias: A norma reconhece que durante a partida e a parada, a vibração pode exceder temporariamente os limites em regime permanente, particularmente ao passar por velocidades críticas (ressonâncias).
  • Máquinas acopladas: Para equipamentos acoplados (por exemplo, conjuntos motor-bomba), cada máquina deve ser avaliada individualmente usando os limites apropriados à sua classificação de grupo.

Capítulo 5. Arquitetura de Hardware do Sistema Balanset-1A

Para implementar os requisitos da ISO 10816/20816, você precisa de um instrumento que forneça medições precisas e repetíveis e que corresponda às faixas de frequência exigidas. O sistema Balanset-1A desenvolvido pela Vibromera é uma solução integrada que combina as funções de um analisador de vibração de dois canais e um instrumento de balanceamento em campo.

5.1. Canais de Medição e Sensores

O sistema Balanset-1A possui dois canais independentes de medição de vibração (X1 e X2), o que permite medições simultâneas em dois pontos ou em dois planos.

Tipo de sensor. O sistema utiliza acelerômetros (transdutores de vibração que medem aceleração). Este é o padrão moderno da indústria, pois os acelerômetros oferecem alta confiabilidade, ampla faixa de frequência e boa linearidade.

Integração de sinal. Como a ISO 10816 exige a avaliação da velocidade de vibração (mm/s), o sinal dos acelerômetros é integrado em hardware ou software. Esta é uma etapa crítica de processamento de sinal, e a qualidade do conversor analógico-digital desempenha um papel fundamental.

Faixa de medição. O instrumento mede a velocidade de vibração (RMS) na faixa de 0,05 a 100 mm/s. Esta faixa cobre totalmente todas as zonas de avaliação da ISO 10816 (da Zona A < 0,71 à Zona D > 45 mm/s para as maiores máquinas).

5.2. Características de Frequência e Precisão

As características metrologicas do Balanset-1A estão em total conformidade com os requisitos da norma.

Faixa de frequência. A versão básica do instrumento opera na banda de 5 Hz a 550 Hz. O limite inferior de 5 Hz (300 rpm) até excede o requisito da norma ISO 10816 de 10 Hz e suporta a diagnose de máquinas de baixa velocidade. O limite superior de 550 Hz cobre até o 11º harmônico para máquinas com frequência rotacional de 3000 rpm (50 Hz), o que é suficiente para detectar desbalanceamento (1×), desalinhamento (2×, 3×) e folga mecânica. Opcionalmente, a faixa de frequência pode ser estendida para 1000 Hz, cobrindo totalmente todos os requisitos da norma.

Precisão de amplitude. O erro de medição de amplitude é de ±5% da escala total. Para tarefas de monitoramento operacional, onde os limites das zonas diferem em centenas de por cento, esta precisão é mais do que suficiente.

Precisão de fase. O instrumento mede o ângulo de fase com uma precisão de ±1 grau. Embora a fase não seja regulamentada pela ISO 10816, ela é criticamente importante para o procedimento de balanceamento.

5.3. Canal do Tacômetro

O kit inclui um tacômetro a laser (sensor óptico) que desempenha duas funções: mede a velocidade do rotor (RPM) de 150 a 60.000 rpm (em algumas versões até 100.000 rpm), permitindo identificar se a vibração é síncrona com a frequência de rotação (1×) ou assíncrona; e gera um sinal de fase de referência (marca de fase) para a média síncrona e para o cálculo dos ângulos das massas de correção durante o balanceamento.

5.4. Conexões e Layout

O kit padrão inclui cabos de sensor de 4 metros de comprimento (opcional 10 metros). Isso aumenta a segurança durante medições in situ. Cabos longos permitem que o operador fique a uma distância segura das partes rotativas da máquina, o que atende aos requisitos de segurança industrial para trabalho com equipamentos rotativos.

Tabela 5.1. Principais Especificações do Balanset-1A vs. Requisitos da ISO 10816

Parâmetro Requisito da ISO 10816 Especificação do Balanset-1A Conformidade
Parâmetro medido Velocidade de vibração, RMS Velocidade RMS (integrada a partir da aceleração)
Faixa de frequência 10–1000 Hz 5–1000 Hz
Faixa de medição 0,71–45 mm/s (faixa das zonas) 0,2–80 mm/s
Número de canais Pelo menos 1 2 simultaneous
Precisão de amplitude Segundo ISO 2954: ±10% ±5% ✔ (excede)
Medição de RPM Não especificado 150–60.000 rpm Capacidade adicional

Capítulo 6. Metodologia de Medição e Avaliação ISO 10816 Usando o Balanset-1A

6.1. Preparação para as Medições

Identificar a máquina. Determine a classe ou grupo da máquina (conforme os Capítulos 2 e 4 deste relatório). Por exemplo, um "ventilador de 45 kW em isoladores de vibração" pertence ao Grupo 2 (ISO 10816-3) com fundação flexível.

Instalação do software. Instale os drivers e o software do Balanset-1A a partir do drive USB fornecido. Conecte a unidade de interface à porta USB do laptop.

Monte os sensores. Instale os sensores nas caixas dos rolamentos — não em tampas finas, proteções ou carcaças de chapa metálica. Use bases magnéticas e certifique-se de que o ímã assente firmemente sobre uma superfície limpa e plana. Tinta ou ferrugem sob o ímã atuam como amortecedores e reduzem as leituras de alta frequência. Mantenha a ortogonalidade: realize medições nas direções vertical (V), horizontal (H) e axial (A) em cada rolamento. O Balanset-1A possui dois canais, permitindo medir V e H simultaneamente em um suporte.

6.2. Modo Vibrômetro (F5)

O software do Balanset-1A possui um modo dedicado para avaliação conforme ISO 10816. Execute o programa, pressione F5 (ou clique no botão "F5 - Vibrômetro" na interface) e, em seguida, pressione F9 (Executar) para iniciar a aquisição de dados.

Análise do indicador:

  • RMS (Total): O instrumento exibe a velocidade de vibração RMS global (V1s, V2s). Este é o valor que você compara com os limites tabulados da norma.
  • 1× Vibração: O instrumento extrai a amplitude de vibração na frequência rotacional (componente síncrona).

Se o valor RMS for alto (Zona C/D), mas o componente 1× for baixo, o problema não é desbalanceamento. Pode ser um defeito no rolamento, cavitação (para uma bomba) ou problemas eletromagnéticos. Se o RMS estiver próximo do valor 1× (por exemplo, RMS = 10 mm/s, 1× = 9,8 mm/s), o desbalanceamento predomina e o balanceamento reduzirá a vibração em aproximadamente 95%.

6.3. Análise Espectral (FFT)

Se a vibração global exceder o limite (Zona C ou D), você deve identificar a causa. O modo F5 inclui uma guia Gráficos com exibição do espectro FFT.

  • Um pico dominante em 1× (frequência de rotação) indica desbalanceamento.
  • Picos em 2×, 3× indicam desalinhamento ou folga mecânica.
  • Um "ruído" de alta frequência ou uma floresta de harmônicos indica defeitos em rolamentos.
  • A frequência de passagem das pás (número de pás × rpm) indica problemas aerodinâmicos em um ventilador ou problemas hidráulicos em uma bomba.
  • A frequência de linha 2× (100 Hz ou 120 Hz) indica falhas elétricas em motores (excentricidade do estator, barras do rotor quebradas).

O Balanset-1A fornece essas visualizações, o que o transforma de um simples "medidor de conformidade" em uma ferramenta de diagnóstico completa.

6.4. Pontos de Medição e Direções

A ISO 10816-1 recomenda medir a vibração em três direções mutuamente perpendiculares em cada localização de rolamento. Para uma máquina típica de dois rolamentos, isso significa até seis pontos de medição (3 direções × 2 rolamentos). Na prática, as medições mais importantes são:

  • Vertical (V): Mais sensível ao desbalanceamento. Geralmente fornece as leituras mais altas porque os rolamentos têm menos rigidez na direção vertical.
  • Horizontal (H): Sensível ao desalinhamento e folga mecânica. Vibração horizontal que excede significativamente a vibração vertical frequentemente indica pé mancal frouxo ou parafusos soltos.
  • Axial (A): Vibração axial elevada (mais de 50% da vibração radial) sugere desalinhamento, eixo empenado ou rotor em balanço desbalanceado.

A leitura mais alta entre todos os pontos e direções de medição é tipicamente usada para a avaliação ISO 10816. Registre sempre todas as medições para análise de tendências.

Capítulo 7. Balanceamento como Método de Correção: Uso Prático do Balanset-1A

Quando o diagnóstico (com base na predominância de 1× no espectro) indica desbalanceamento como a principal causa do excedente do limite da ISO 10816, o próximo passo é o balanceamento. O Balanset-1A implementa o método dos coeficientes de influência (método de três corridas).

7.1. Teoria do Balanceamento

O desbalanceamento ocorre quando o centro de massa do rotor não coincide com seu eixo de rotação. Isso causa uma força centrífuga F = m · r · ω² que gera vibração na frequência de rotação. O objetivo do balanceamento é adicionar uma massa de correção que produza uma força de mesma magnitude e direção oposta à força de desbalanceamento.

7.2. Procedimento de Balanceamento em Plano Único

Use este procedimento para rotores estreitos (ventiladores, polias, discos). Selecione o modo F2 no programa.

Execução 0 — Inicial: Inicie o rotor, pressione F9. O instrumento mede a vibração inicial (amplitude e fase). Exemplo: 8,5 mm/s a 120°.

Execução 1 — Massa de Teste: Pare o rotor, monte uma massa de teste de massa conhecida (por exemplo, 10 g) em uma localização arbitrária. Inicie o rotor, pressione F9. Exemplo: 5,2 mm/s a 160°.

Cálculo e correção: O programa calcula automaticamente a massa e o ângulo da massa de correção. Por exemplo, o instrumento pode instruir: "Adicionar 15 g em um ângulo de 45° a partir da posição da massa de teste." As funções do Balanset suportam massas divididas: se você não puder colocar a massa na localização calculada, o programa a divide em duas massas para montagem, por exemplo, nas pás do ventilador.

Execução 2 — Verificação: Instale a massa de correção calculada (removendo a massa de teste, se necessário). Inicie o rotor e confirme que a vibração residual caiu para a Zona A ou B de acordo com a ISO 10816 (por exemplo, abaixo de 2,8 mm/s para o Grupo 2 / Rígido).

7.3. Balanceamento em Dois Planos

Rotores longos (eixos, tambores de britador) requerem balanceamento dinâmico em dois planos de correção. O procedimento é semelhante, mas requer dois sensores de vibração (X1, X2) e três corridas (Inicial, massa de teste no Plano 1, massa de teste no Plano 2). Use o modo F3 para este procedimento.

Capítulo 8. Cenários Práticos e Interpretação (Estudos de Caso)

Estudo de Caso 1

Ventilador de Exaustão Industrial (45 kW)

Contexto: O ventilador está instalado em um telhado sobre isoladores de vibração do tipo mola.

Classificação: ISO 10816-3, Grupo 2, fundação flexível.

Medição: O Balanset-1A no modo F5 mostra RMS = 6,8 mm/s.

Análise: De acordo com a Tabela 4.1, o limite B/C para "Flexível" é 4,5 mm/s e o limite C/D é 7,1 mm/s. O ventilador opera na Zona C (operação limitada), aproximando-se da Zona D de emergência.

Diagnósticos: O espectro mostra um pico forte em 1×, confirmando o desbalanceamento como a fonte dominante.

Ação: O balanceamento foi realizado com o Balanset-1A. A vibração caiu para 1,2 mm/s.

✓ Resultado: Zona A (1,2 mm/s) — Falha Evitada
Estudo de Caso 2

Bomba Alimentadora de Caldeira (200 kW)

Contexto: A bomba está montada rigidamente em uma fundação maciça de concreto.

Classificação: ISO 10816-3, Grupo 2, fundação rígida.

Medição: O Balanset-1A mostra RMS = 5,0 mm/s.

Análise: De acordo com a Tabela 4.1, o limite C/D para "Rígido" é 4,5 mm/s. A bomba opera na Zona D — condição de emergência.

Diagnósticos: O espectro mostra uma série de harmônicos e um alto nível de ruído. O pico 1× é baixo em relação à vibração total.

Ação: O balanceamento não ajudará. O problema provavelmente está nos rolamentos ou na cavitação. A bomba deve ser parada para inspeção mecânica.

✕ Resultado: Zona D (5,0 mm/s) — Parada Imediata Necessária
Estudo de Caso 3

Compressor Centrífugo (500 kW)

Contexto: O compressor está montado em uma fundação de bloco de concreto com parafusos de ancoragem.

Classificação: ISO 10816-3, Grupo 1, fundação rígida.

Medição: O Balanset-1A mostra RMS = 3,8 mm/s vertical, 5,1 mm/s horizontal no rolamento do lado do acionamento.

Análise: De acordo com a Tabela 4.1 (Grupo 1 / Rígido), 3,8 mm/s é Zona B e 5,1 mm/s é Zona C. O valor horizontal prevalece: a máquina está na Zona C.

Diagnósticos: O espectro mostra um pico dominante em 2×, com vibração axial elevada. O desalinhamento é o principal suspeito.

Ação: O alinhamento do acoplamento foi verificado com uma ferramenta a laser. Desalinhamento angular de 0,12 mm foi encontrado e corrigido para 0,03 mm. Vibração pós-correção: 1,9 mm/s horizontal.

✓ Resultado: Zona A (1,9 mm/s) — Alinhamento Corrigido

Capítulo 9. Relação Entre Parâmetros de Vibração: Deslocamento, Velocidade, Aceleração

Compreender a relação matemática entre os três parâmetros de vibração é importante para convertê-los e para entender por que a ISO 10816 escolheu a velocidade como sua métrica primária.

Para um movimento harmônico simples na frequência f (Hz):

  • Deslocamento: D = D0 · sin(2πft), medido em µm (pico ou pico-a-pico)
  • Velocidade: V = 2πf · D0 · cos(2πft), medido em mm/s
  • Aceleração: A = (2πf)² · D0 · sin(2πft), medido em m/s²

Os principais relacionamentos (para valores de pico na frequência f):

  • Vpico (mm/s) = π · f · Dp-p (µm) / 1000
  • Apico (m/s²) = 2πf · Vpico (mm/s) / 1000

Isso explica por que o deslocamento é dominante em baixas frequências e a aceleração é dominante em altas frequências, enquanto a velocidade fornece uma representação relativamente plana (independente da frequência) da severidade de vibração em toda a faixa típica de velocidade das máquinas. Um valor constante de velocidade representa tensão constante na estrutura, independentemente da frequência — esta é a razão fundamental pela qual a ISO 10816 utiliza a velocidade.

Tabela 9.1. Exemplos Práticos de Conversão a 50 Hz (3000 rpm)

Velocidade RMS (mm/s) Deslocamento p-p (µm) Aceleração RMS (m/s²) Zona ISO 10816-1 (Classe II)
1.0 9.0 0.44 Zona A
2.8 25.2 1.24 Limite B/C
4.5 40.5 2.00 Zona C
7.1 63.9 3.15 Limite C/D

Capítulo 10. Erros Comuns de Medição e Como Evitá-los

Mesmo com um instrumento devidamente calibrado, como o Balanset-1A, erros de medição podem levar a conclusões incorretas. Aqui estão as armadilhas mais comuns:

10.1. Erros de Montagem do Sensor

Problema: Sensor montado em uma proteção, tampa fina ou estrutura frouxa em vez da caixa do rolamento. Isso causa leituras falsamente altas devido às ressonâncias estruturais da tampa, levando a paradas desnecessárias.

Solução: Sempre monte diretamente na caixa do rolamento. Use montagem magnética em uma superfície metálica limpa e plana. Para superfícies com tinta mais espessa que 0,1 mm, raspe uma pequena área até o metal nu.

10.2. Classificação Errada da Máquina

Problema: Aplicar limites da Classe I a um compressor de 200 kW (que deveria ser Grupo 2 conforme a ISO 10816-3) resulta em alarmes prematuros.

Solução: Sempre identifique a potência nominal, a velocidade e o tipo de fundação da máquina antes de selecionar a norma e o grupo aplicáveis.

10.3. Ignorar Condições de Operação

Problema: Medir vibração durante a partida ou em carga parcial. Os limites da ISO 10816 aplicam-se à operação em regime permanente nas condições normais de operação.

Solução: Permita que a máquina atinja o equilíbrio térmico e a velocidade/carga normal de operação antes de registrar as medições. Para motores elétricos, isso geralmente significa pelo menos 15 minutos de operação.

10.4. Cabos e Ruído Elétrico

Problema: Passar cabos de sensores ao lado de cabos de alimentação introduz interferência eletromagnética, causando leituras artificialmente elevadas, especialmente em 50/60 Hz e harmônicos.

Solução: Roteie os cabos dos sensores longe dos cabos de alimentação. Use cabos blindados sempre que possível. Os cabos do Balanset-1A são blindados por projeto, mas o roteamento adequado continua sendo importante.

10.5. Medições em Ponto Único

Problema: Medir apenas uma direção em um rolamento e concluir que "a máquina está bem".

Solução: Meça em pelo menos duas direções (V e H) em cada rolamento. Use a leitura mais alta para a avaliação da ISO 10816. Diferenças significativas entre as direções podem indicar falhas específicas (por exemplo, horizontal > vertical frequentemente indica folga estrutural).

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que é a ISO 10816-1?
A ISO 10816-1 é uma norma internacional que fornece diretrizes gerais para avaliar a vibração de máquinas por meio de medições em partes não rotativas, como caixas de rolamento, pedestais e fundações. Ela estabelece zonas de severidade de vibração (A, B, C, D) usando a velocidade de vibração RMS (mm/s) na faixa de frequência de 10–1000 Hz. A norma classifica as máquinas em quatro classes com base no tamanho, potência e tipo de fundação.
Qual é a diferença entre ISO 10816 e ISO 20816?
A ISO 20816 é a substituta moderna da ISO 10816. Ela mescla duas séries anteriores: ISO 10816 (vibração em partes não rotativas) e ISO 7919 (vibração em eixos rotativos) em uma única estrutura unificada. A ISO 20816-1:2016 substituiu a ISO 10816-1:1995, embora a metodologia fundamental de medição e a classificação por zonas permaneçam semelhantes. A transição é gradual — a maioria das partes já foi substituída (por exemplo, ISO 10816-3 por ISO 20816-3:2022), enquanto algumas, como a ISO 10816-7, permanecem como referência atual até que suas substitutas da ISO 20816 sejam publicadas.
Qual nível de vibração é aceitável de acordo com a ISO 10816?
A vibração aceitável depende inteiramente da classe da máquina. Para máquinas pequenas (Classe I, até 15 kW), a Zona A (boa) é abaixo de 0,71 mm/s RMS, e o limite de alarme (limite C/D) está em 4,5 mm/s. Para máquinas de médio porte (Classe II), a Zona A é abaixo de 1,12 mm/s. Para máquinas grandes em fundações rígidas (Classe III), a Zona A é abaixo de 1,80 mm/s. Para máquinas grandes em fundações flexíveis (Classe IV), a Zona A é abaixo de 2,80 mm/s. Sempre use a classe correta para sua máquina específica.
Quais são as quatro zonas de vibração na ISO 10816?
Zona A — máquinas recém-comissionadas em excelente condição. Zona B — aceitável para operação de longo prazo sem restrições. Zona C — insatisfatória para operação contínua de longo prazo, requer ação corretiva agendada. Zona D — níveis de vibração perigosos que podem causar danos; parada imediata é necessária.
Como medir a vibração de acordo com a ISO 10816?
Monte um acelerômetro na caixa do rolamento (uma parte não rotativa e estruturalmente rígida) da máquina. Meça a velocidade de vibração RMS de banda larga em mm/s na faixa de frequência de 10–1000 Hz. Faça leituras em pelo menos duas direções (vertical e horizontal) em cada rolamento. Compare o valor medido mais alto com os limites de zona para a classe de máquina e o tipo de fundação apropriados. Instrumentos como o Balanset-1A integram o sinal de aceleração internamente para fornecer as leituras de velocidade necessárias.
Qual é a diferença entre ISO 10816-1 e ISO 10816-3?
A ISO 10816-1 é a norma geral (guarda-chuva) que define a metodologia e as classes amplas de máquinas (I–IV). A ISO 10816-3 fornece limites de vibração mais específicos para máquinas industriais com potência nominal acima de 15 kW e até 50 MW em velocidades de operação entre 120 e 15.000 rpm. A ISO 10816-3 divide as máquinas em Grupo 1 (>300 kW) e Grupo 2 (15–300 kW) e é a norma mais comumente usada na prática para ventiladores, bombas, compressores e motores.
O Balanset-1A pode ser usado para medições de conformidade com a ISO 10816?
Sim. O Balanset-1A mede a velocidade de vibração RMS na faixa de 0,2–80 mm/s com uma banda de frequência de 5–1000 Hz, o que cobre os requisitos da ISO 10816. Seus dois canais de medição simultâneos, análise espectral FFT e precisão de amplitude de ±5% o tornam adequado tanto para avaliações de triagem quanto para diagnósticos detalhados conforme a metodologia da ISO 10816.
A ISO 10816-1 ainda é válida ou foi substituída?
A ISO 10816-1:1995 foi formalmente substituída pela ISO 20816-1:2016. No entanto, os princípios, a metodologia e a classificação por zonas permanecem fundamentalmente os mesmos. A maioria das partes específicas também foi substituída por suas contrapartes da ISO 20816 (por exemplo, ISO 10816-3 para máquinas industriais por ISO 20816-3:2022), embora algumas, como a ISO 10816-7, ainda estejam em vigor. Na prática de engenharia, a estrutura e a terminologia da ISO 10816 continuam sendo amplamente utilizadas.

Conclusão

A ISO 10816-1 e sua Parte 3 especializada fornecem uma base fundamental para garantir a confiabilidade de equipamentos industriais. A transição da percepção subjetiva para a avaliação quantitativa da velocidade de vibração (RMS, mm/s) permite que os engenheiros classifiquem objetivamente a condição da máquina e planejem a manutenção com base em dados reais, em vez de cronogramas arbitrários.

O sistema de avaliação de quatro zonas (de A a D) fornece uma linguagem universalmente compreendida para comunicar a condição da máquina entre equipes de manutenção, gestão e fornecedores de equipamentos. Quando combinada com a análise espectral, essa metodologia permite não apenas a detecção de problemas, mas também a identificação de causas raiz — desbalanceamento, desalinhamento, desgaste de rolamentos, folga mecânica e falhas elétricas.

A implementação instrumental desses padrões usando o sistema Balanset-1A provou ser eficaz. O instrumento fornece medições metrologicamente precisas na faixa de 5–1000 Hz (cobrindo totalmente os requisitos padrão para a maioria das máquinas) e oferece a funcionalidade necessária para identificar as causas de vibração elevada (análise espectral) e eliminá-las (balanceamento).

Para empresas operacionais, implementar monitoramento regular com base na metodologia ISO 10816 e instrumentos como o Balanset-1A é um investimento direto na redução dos custos operacionais. A capacidade de distinguir a Zona B da Zona C ajuda a evitar tanto reparos prematuros de máquinas saudáveis quanto falhas catastróficas causadas pela ignorância de níveis críticos de vibração.

Fim do relatório

Categories: GlossárioNormas ISO

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