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Este capítulo é a teoria mínima necessária para trabalhar com o Balanset-1A de forma consciente, e não apenas premindo botões.
O que é a vibração e porque é que a máquina vibra
Qualquer rotor em rotação (o tambor de uma trituradora, o rotor de um ventilador, um veio) tem, idealmente, o centro de massa exatamente sobre o eixo de rotação. Na realidade, existe sempre um ligeiro desvio de massa — desequilíbrio. À medida que o rotor gira, o “ponto pesado” puxa-o lateralmente a cada rotação, criando uma força centrífuga que faz vibrar a máquina na frequência de rotação.
Importante: o desequilíbrio é apenas uma das causas de vibração. Uma máquina também vibra devido a:
- folga e desgaste de rolamentos,
- desalinhamento do veio (acoplamentos, correias),
- fissuras e fixações soltas (parafusos, chassis),
- um veio empenado,
- ressonância estrutural,
- forças aerodinâmicas e eletromagnéticas (ventiladores, variadores de frequência).
O balanceamento elimina apenas o desequilíbrio. Tudo o resto tem de ser reparado, não balanceado. Daí a regra de ouro: o aparelho não consegue “balancear” uma máquina avariada.
Em que unidades se mede a vibração
The Balanset-1A measures velocidade de vibração — o valor RMS em mm/s. Esta é a grandeza padrão para avaliar o estado da máquina na gama de frequências de trabalho.
Uma escala aproximada de avaliação rápida (com base na ISO 10816/20816, detalhes no capítulo 06):
| Velocidade de vibração (RMS) | Avaliação |
|---|---|
| até 1,4 mm/s | excelente |
| 1,4 – 2,8 mm/s | bom |
| 2,8 – 4,5 mm/s | aceitável |
| acima de 4,5 mm/s | mau — é necessária ação |
Para máquinas agrícolas (trituradoras, ceifeiras) os limites são mais tolerantes: até 4,8 mm/s está bem, até 7,1 mm/s em apoios flexíveis, e considerando as condições de trabalho “abaixo de 8 mm/s já é bom”.
Frequência, RPM e harmónicas
Suponhamos que um rotor gira a 3000 rpm. Isso equivale a 50 rotações por segundo = 50 HzA vibração é decomposta em componentes de frequência — o espetro (FFT). O espetro mostra “quem está a causar a vibração”:
- 1x (frequência de rotação) — a assinatura clássica de desequilíbrio. Esta é a componente que o balanceamento reduz.
- 2x, 3x (segunda, terceira harmónica) — mais frequentemente desalinhamento do eixo, fixações soltas, um veio empenado. Se 2x for superior a 1x — é cedo demais para balancear; procure primeiro desalinhamento/folgas.
- Frequências altas, “ruído” — defeitos de rolamentos e engrenagens.
- Frequências baixas não relacionadas com as RPM — fundação/suportes soltos, aerodinâmica.
- Múltiplos da frequência da rede elétrica (por exemplo, 6 × 50 Hz = 300 Hz) — interferência eletromagnética de um variador de frequência. Teste: desligue o variador durante a desaceleração — se o pico desaparecer, é elétrico e não mecânico.
Uma regra prática do suporte técnico: se um pico do espetro se desloca proporcionalmente quando se altera as RPM — é uma harmónica de rotação; se permanece fixo — é uma ressonância estrutural ou uma fonte externa.
Como se apresenta no ecrã:


Fase — “para onde aponta o ponto pesado”
Além da amplitude, o aparelho mede fase — o ângulo entre o impulso do tacómetro (a marca refletora a passar pelo laser) e o máximo de vibração. A fase indica ONDE se situa o desequilíbrio. A partir da variação de amplitude e fase após a instalação de um peso de prova, o aparelho calcula a massa e o ângulo do peso de correção — o método do coeficiente de influência.
Consequências práticas:
- a marca do tacómetro não deve ser recolada entre passagens — o “zero” de fase desloca-se. O próprio tacómetro também não deve ser deslocado ou reorientado;
- as RPM devem ser as mesmas em todas as passagens de uma série;
- a fase deve ser estável de passagem para passagem (dispersão não superior a ~10–20°). Se a fase oscilar — a medição não é fiável; procure uma causa mecânica ou ressonância.
Ressonância — o pior inimigo do balanceamento
Toda a estrutura (rotor + apoios + chassis) tem frequências naturais. Se as RPM de funcionamento coincidirem com uma frequência natural, ressonância ocorre: a vibração dispara, a fase salta de forma errática, os cálculos do aparelho deixam de convergir e “o aparelho continua a pedir mais peso”.
Sinais de ressonância:
- uma pequena alteração das RPM altera a vibração várias vezes;
- depois de instalar o peso calculado, a vibração aumenta em vez de diminuir;
- a amplitude e a fase são instáveis nas mesmas condições.
O que fazer: balancear a RPM diferentes — normalmente abaixo a ressonância. A receita típica para trituradoras: balanceamento grosseiro a 600–900 rpm, depois passar para as RPM de trabalho. As versões recentes do software têm uma gráfico RunDown (desaceleração) — acelere o rotor, corte o acionamento e registe a desaceleração: os picos revelam as frequências de ressonância, e escolhe-se as RPM de balanceamento entre elas.
Exemplo real: o rotor de um cliente não conseguia ser balanceado a 1600 rpm, mas balanceava bem a 1000 rpm. A causa — uma ressonância próxima de 1600.


Linearidade, e porque se instala metade da massa
O cálculo do aparelho parte do princípio de que o sistema é linear: o dobro do peso — o dobro da resposta. Em máquinas rígidas com uma boa fundação, isto é aproximadamente verdade. Mas uma trituradora montada num trator, uma máquina sobre apoios flexíveis, ou uma estrutura com folgas e fissuras, comporta-se de forma não linear: a resposta a um peso frequentemente não é proporcional.
Daí a regra comprovada na prática: instalar 1/2 (em máquinas problemáticas, 1/3) da massa calculada e fazer uma passagem de verificação. O aparelho irá então refinar o restante. Isto é mais rápido do que voltar a soldar um peso enorme que “ultrapassou” o objetivo.
Desequilíbrio estático e dinâmico
Estático — o ponto pesado está de um dos lados do rotor. Um rotor parado sobre apoios livres roda por si próprio até o lado pesado ficar em baixo. Corrige-se com um único peso num plano.

Dinâmico — pontos pesados em extremidades diferentes e em lados diferentes do rotor. O rotor não se limita a vibrar, ele “oscila” enquanto gira. São necessários pesos em dois planos. Não é possível detetar isto estaticamente: com o rotor rodado 90°, os dois pesos parecem contrabalançar-se, mas em movimento cada ponto pesado puxa no seu próprio sentido.

Um plano ou dois?
- Um plano — rotores estreitos (discos, polias, rotores de ventilador estreitos). Regra prática da ISO 21940-11: se a largura do rotor for inferior a metade do seu diâmetro (proporção ~1:2; na prática o suporte técnico recomenda 1:3) — um plano é suficiente.
- Dois aviões — rotores longos (tambores de trituradoras, veios, rotores de ceifeiras-debulhadoras, ventiladores a 3000 rpm e acima). O desequilíbrio nas duas extremidades do rotor influencia-se mutuamente, pelo que o aparelho mede dois canais simultaneamente (sensores X1 e X2) e calcula ambos os pesos de uma só vez.
Classes de qualidade de balanceamento G (ISO 1940 / ISO 21940-11)
O desequilíbrio residual é especificado em g·mm por classes G:
| Classe | Uso típico |
|---|---|
| G16 | máquinas agrícolas, veios cardan |
| G6.3 | ventiladores, tambores, polias, rotores gerais — a classe mais comum |
| G2.5 | turbinas, motores elétricos, máquinas-ferramenta |
| G1 – G0.4 | fusos, rotores de precisão |
Quanto mais elevadas as RPM e mais pequeno o rotor — mais apertada é a classe. O software Balanset tem uma calculadora de tolerâncias: introduza a massa do rotor, as RPM e a classe G — e obtém o desequilíbrio residual admissível em g·mm por plano. Exemplo real: um rotor de 80 kg a 3000 rpm, G6.3 → tolerância ≈ 802 g·mm por plano.

Não confunda os dois sistemas de avaliação:
- mm/s (velocidade de vibração) — avaliação da máquina montada, no local, segundo a ISO 10816/20816;
- g·mm (desequilíbrio residual) — avaliação do próprio rotor, segundo a ISO 1940/21940. As máquinas de balanceamento trabalham em g·mm; o balanceamento em campo normalmente observa mm/s.
Mini-glossário
| Termo | Em palavras simples |
|---|---|
| Desequilíbrio | Desvio de massa do rotor em relação ao seu eixo de rotação |
| RMS | 1x, 2x, 3x |
| 1x, 2x, 3x | Componentes de vibração no 1º, 2º, 3º múltiplo da frequência de rotação |
| FFT / espetro | Vibração dividida por frequência — “quem está a vibrar” |
| Fase | O ângulo que localiza o desequilíbrio |
| Massa de teste | Uma massa conhecida instalada para que o aparelho possa “aprender” a resposta da máquina |
| Coeficientes de influência | O método de cálculo: como a vibração variou para um peso conhecido → quanto instalar e onde |
| Ressonância | RPM a coincidir com uma frequência natural; a vibração dispara |
| RunDown (desaceleração) | Registo da vibração enquanto o rotor desacelera livremente — a forma de encontrar ressonâncias |
| g·mm | Unidade de desequilíbrio: massa × raio da sua localização |